Atravessando lugares indelevelmente masculinos, nos seus elementos e memórias, que criam um ambiente bruto, pesado e dominador, reimagina-se a paisagem, propondo-se uma visão alternativa. Esta vai subtilmente medrando em pontos de luz onde assoma uma figura feminina que desafia e transcende a paisagem.
Podia dizer-se, assim, que a mulher na paisagem afirma o seu lugar nestes lugares e nesta paisagem, apropriando-se deste espaço e mais além, posicionando-se ativamente para desafiar sistemas opressivos, simbolizando uma força transformadora poeticamente esculpida na fotografia.
Objetivamente, não chega: a figura feminina continua a ser uma mulher fotografada por um homem. Uma proposta entra em ação durante o processo: ficará em segredo, para já. O que veremos ao longo desta série é todo esse processo, sem filtros. A realidade possível: um feixe de luz no coração de luz.



Marina Abreu, dezembro de 2024

Marina Abreu, dezembro de 2024

Marina Abreu, dezembro de 2024

Marina Abreu, dezembro de 2024

Marina Abreu, dezembro de 2024

Marina Abreu, dezembro de 2024

Marina Abreu, dezembro de 2024
Rio em silêncio. O Tejo, não eu. O azul da água contrasta com o peso da paisagem: as fábricas, a maquinaria, os armazéns, as obras abandonadas, os contentores, um cais que cai, uma mini e um cigarro na mão de um rosto com as marcas da vida e do Rio. Em silêncio, nesse rosto projeta-se este lado da cidade, onde tudo é bruto, pesado e masculino. E se não fosse assim?
Manuel Castro, dezembro de 2024.